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Dimensões da empresa familiar

A análise estruturada e focada das três dimensões da empresa familiar complementa a abordagem clássica (que analisa as inter-relações dimensionais), permitindo identificar especificidades determinantes para a compreensão dos papéis e motivações da Família, da Sociedade e do Negócio.

Sob esse novo prisma, é possivel explicitar a causa de um dos problemas mais comuns das empresas familiares: o conflito entre parentes sócios. A metodologia do FBON assinala que laços de parentesco, por si, não são premissa para a existência do animus societatis. Pode-se dizer que dois irmãos herdeiros de um negócio familiar, por exemplo, já nasceram sócios, mas isso não significa desejo mútuo de associação. Ser irmão de alguém é destino; ser sócio de alguém deveria ser escolha – mas nem sempre é, no complexo universo das empresas familiares.

A análise atenta da dimensão “família” revela a existência de dois aspectos intangíveis e igualmente determinantes para os membros do agrupamento familiar: o senso de pertencimento e o espírito de unidade. Vale notar que tais valores transcendem o vínculo biológico: membros agregados ao grupo (cunhados, genros, noras) podem demonstrar identidade tão forte com a família quanto parentes sanguíneos (irmãos, primos, tios).

Já a dimensão “sociedade” está profundamente ligada ao conceito do animus societatis, o desejo genuíno de pessoas (independente da origem comum ou não) unirem forças e estabelecerem um negócio, objetivando um ganho que será dividido e distribuído entre todos os participantes desse esforço.

O FBON entende que é fundamental considerar separadamente as perspectivas da gestão dos negócios e do controle da propriedade. O fato de alguém ser parente e “dono” ou controlador de uma empresa não o qualifica de imediato como o gestor mais adequado e capacitado para gerar valor de forma sustentável para o negócio.

Assim, a dimensão “sociedade” mostra seu outro lado, associado ao controle da propriedade e que se traduz numa atuação empresarial consciente e responsável sobre todos os negócios nos quais a família tem participação – principalmente sobre aqueles nos quais detém a maior participação societária.

A atuação empresarial consciente e responsável, por sua vez, se concretiza numa gestão profissional. Na dimensão “negócio”, portanto, o foco se concentra em liderar as atividades com o máximo compromisso organizacional e em utilizar um corpo de profissionais de elevada competência gerencial – qualidades não necessariamente apresentadas por integrantes do grupo familiar, mas decisivas para a admissão de profissionais no núcleo de liderança do negócio.

Fica claro, dessa forma, que a dimensão “sociedade” atua na mediação de valores da dimensão “família” (senso de pertencimento e espírito de unidade) e da dimensão “negócio” (compromisso organizacional e competência gerencial). (Ver figura 3)

As premissas assumidas nos modelos e metodologias do FBON – animus societatis separado de senso de pertencimento; controle da propriedade segregado da gestão do negócio – não são novidades. Elas expressam fatos absolutamente comuns nas empresas familiares.

Nossos estudos mostram, porém, que somente a análise segregada e focada de cada uma das três dimensões permite a clara identificação das causas e a pronta formulação de soluções para os principais Dramas, Desafios e Dilemas das Famílias Empresárias.

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